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 Cannabis para uso medicinal

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15122011
MensagemCannabis para uso medicinal

Foi publicado ontem na revista Clinical Pharmacology Therapy (Clin Pharmacol Ther. 2011;90:844-851. Abstract, Editorial) um estudo interessante sob o título "Cannabis aumenta os efeitos analgésicos dos opióides", onde cita-se vantagens para o uso daquela droga em detrimento do uso de opióides no tratamento da dor crônica e no câncer terminal.
Achei muito oportunas as colocações, sobre o potencial terapêutico da cannabis, que é sub-utilizado. Outro aspecto relevante, este já no editorial da revista, aponta que "Dr. Mark Ware writes. The wider concern is that these are patients with serious painful conditions who are seeking symptom relief, he adds. They are not "kids looking for a buzz." (É conceito amplo que esses pacientes com sérias condições de dor estão procurando aliviar seus sintomas. Eles não são "doidões procurando por um barato" ).
São coisas para se pensar...
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Cannabis para uso medicinal :: Comentários

Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Seg 19 Dez 2011 - 13:12 por Convidad
Esse vídeo foi enviado no fórum antigo pelo Rovaris e inclusive tivemos a oportunidade de conversar longamente sobre. O grande problema da coisa começa com a desinformação, seguida do preconceito, seguido da demonização, seguido da repressão, seguido da corrupção, seguido da hipocrisia.

Maconha é umas das drogas mais consumidas, perdendo apenas para o tabaco e o álcool.

Vale a pena assistir ao programa do Nat Geo , dividido em três partes:

Parte 1
[youtube][/youtube]


Parte 2
[youtube][/youtube]


Parte 3
[youtube][/youtube]
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Ter 20 Dez 2011 - 9:46 por Convidad
Álcool mata mais que propriamente a maconha. No José Frota é que se vê o estrago que os 96º Gay Lussac fazem a humanidade. Se masca folha de coca p/ diminuir os efeitos da pressão atmosférica (altitude), para se ouvir rock, acalmar os "nêlvo". A semente, em chá, é usada para diminuir os efeitos da dispnéia (deu certo com minha filha mais nova). E o álcool? Usado p/ gerar euforia (na maioria) ou para acalmar (em outro tanto), provoca alteração de humor, perda de noção (de equilibrio, tato, cheiro etc), estimula a sensação de poder (todo bêbo é destemido e rico - quer pagar a conta de todos) e reacende a violência (o sujeito não abre nem p/ um trem, achando que farol de bicicleta)..haiauhiuahiuahiahiahiaia.

...E olha que não estou fazendo apologia...
É só p/ dar uma ideia de como o ser humano faz dois pesos e duas medidas das coisas.
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Ter 20 Dez 2011 - 10:47 por Convidad
Teve uma decisão do Supremo interessantissima sobre a Marcha da Maconha. O Supremo autorizou em definitivo a realização das marchas como real desempenho da liberdade de expressão e a Ministra realtora ainda afirmou, que se temos um ex-presidente falando sonre maconha em revistas, documentarios sem punição, seria injusto atribuir quaisquer tipos de punição aos cidadãos comuns.

Justo, muito justo, justíssimo.

Uma ressalva porém, as praticas ilicitas continuam proibidas, ou seja, voce pode externar sua opinião, mas o consumo de bagulho ou qualquer outra droga "ilícita" nas marchas continua proibido.

Eu penso, particularmente e embasado por estudos científicos e experiencia clinica, que a maconha produz efeitos nocivos inclusive em menor monta que o tabaco (a nicotina é uma droga que atua no sistema nervoso central dentre outros, aumentando a liberação de dopamina e resultando na sensação de prazer e o desenvolvimento de dependência química e psíquica é quase imediata).

Vou cutucar um amigo nosso daqui, que não é chegado no matinho, mas entorna todas...Tá certo, eu pretendo ir tomar umas e todas com ele em breve, mas aqui entre nós, estaremos cometendo um suicídio programado de médio e longo prazos com essa pratica. Mas tudo bem, alcool é lícito.

Agora, sobre outras drogas, até mesmo em nome da coerência, sou terminantemente contra. Por exemplo, eles nos altiplanos de fato mascam para mascarar alguns efeitos, em especial os da fome. Talvez fosse mais saudável comer e engolir nutrientes, em vez da seiva da coca. O problema é que coca e outras drogas tem potencial de causar dependencia muito elevada já nas primeiras doses e o risco de overdose é real, sem contas as complicações cardiovasculares, cerebrovasculares e a potencialização do desenvolvimento de manifestações esquizóides.


Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Qua 21 Dez 2011 - 11:55 por Convidad
bERT, acredito que legalizar a maconha, tal como o álcool já o é, não é bem a questão.

Afinal, tal como aquele velho adágio popular: "quem tem o que é seu dá a quem quer", o mesmo se aplicará: "quem tem o que é seu faz o que quer" (o corpo), desde que não prejudique o direito de terceiros; no caso, os consumidores da maconha.

Sabemos que a maconha é mais prejudicial a quem dela faz uso (fumando numa quenga ou em cigarro traçado) do que para outras pessoas. Do mesmo modo, quem bebe, ou quem usa outros tipos de drogas (a "péda", a cocaína, o LSD, o chá de zabumba etc) já não pode dizer o mesmo, pois são alucinógenos pesados e que provocam estados de euforia que podem prejudicar a terceiros.

Mas, porém, destarte, todavia, contudo, se no Brasil querem legalizar o casamento, verbete que derivado de casal (de sexos diferentes - "hôme" + "mulé") gay, creio que logo o "free base" será permitido, tal como já o é em países europeus (Suécia, Holanda).

Quem gosta, é cair prá dentro (hehehehe)...

Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Qua 21 Dez 2011 - 13:56 por Convidad
Eu acho a regulamentação dificil de ocorrer tão cedo aqui, até mesmo porque o Brasil é signatário de um tratado anti-drogas da década de 50 na ONU que classifica a cannabis como droga classe A, ou seja, na mesma classe da cocaína, crack, etc.

Outro fator é que existe uma industria pesada por detrás envolvendo a corrupção em diversos níveis da administração, que vive muito bem, de um lado reprimindo, do outro vendendo passes livres para a comercialização.

Tanto que a própria administração evita a discussão franca e baseada em termos científicos, culturais, filosóficos e sociais. E a melhor forma de se evitar isso é alimentar a demonização de tudo que seja ligado à questão drogas, hipocritamente se esquecendo de que nicotina é droga de ação no sistema nervoso central, álcool idem, calmantes de modo geral idem, analgésicos opioides (morfina, meperidina) idem....

Eu tenho quase certeza, tem neguinho que sequer abre um tópico desses para ler, com medo de ser enviado ao mármore do inferno por contradizer, não se sabe ao certo onde, o que está escrito nas escrituras sagradas e compêndios legislativos...
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Qua 21 Dez 2011 - 21:38 por PAULO MOTA
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Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Seg 26 Dez 2011 - 11:11 por Convidad
Ricardo Guimarães: Melhor do que combater a maconha é combater o desconhecimento
17.06.2011 | Texto por Ricardo Guimarães
Reprodução from Revista Trip, Edição 200.


Maconha de novo. De novo em termos, porque muita coisa mudou, inclusive eu. Hoje estou menos paciente e menos convicto de tudo.

Sobre a maconha em si, continuo achando que é um recurso como qualquer outro, que pode ser usado para o bem e para o mal. Acho que deve estar disponível para quem precisa, seja por razões de saúde física ou mental. E também que pode ser liberada para diversão sob algumas circunstâncias, e aí a coisa complica.
Porque aí entra o contexto de quem, quando e onde; assunto da absurda e nada ingênua luta dos negócios correlatos à maconha, como álcool e cigarro, contra a sociedade e vice-versa.

Imagino a maconha liberada e os gestores do seu negócio com metas de aumentar o seu consumo per capita. Que estratégias seriam arquitetadas para que o ambicioso e jovem gestor merecesse seu bônus e sua promoção por ter aumentado as vendas de maconha junto aos seus segmentos-alvo?

Será que seriam as mesmas usadas pelo pessoal do tabaco e do álcool? Não podemos subestimar a nossa capacidade de ter certeza sobre as virtudes das coisas mais canalhas de nossa cultura.

Eu já tive certezas absolutamente ridículas e ignorantes, como por exemplo brigar para poder fumar tabaco dentro de avião num voo de mais de nove horas de duração.

Você já parou para pensar na nobreza da causa da liberdade individual, da luta por um direito tão escroto? Ignorância, pura ignorância. Eu tinha certeza de que estava sendo justo e injustiçado. E não porque eu era jovem, emotivo e queria ser moderno, macho; sabe Deus o que o cigarro significava para mim na época. No fim das contas, era burrice da sociedade, que durante muito tempo adoeceu e morreu em nome da liberdade de escolha que impactou os não fumantes e o sistema de saúde. Isto é, um fuma e todos pagam o pato.

O nexo dói
Aprendi que nada é tão simples como eu gostaria que fosse. Hoje eu vejo nexo em tudo. E o nexo dói. Não dá para ver um jovem descolado de classe média fumando com sua galera e não pensar que ele está mantendo o tráfico de armas, o assassinato de menores carentes e a corrupção dos governos, para falar apenas da face mais visível da narcocultura. Ele é um coitado de um ignorante e mal informado como eu, que achava super “in” fumar dentro de um avião voando por nove horas seguidas.

Combater a maconha não leva a lugar nenhum. Combater a ignorância sim. De quem fuma e de quem não fuma.

Nesta altura da vida, eu só acho que deveríamos ter menos certeza sobre tudo, principalmente sobre o que não temos a menor dúvida. Viva a angústia e a cautela da certeza provisória!

Abraço do amigo cheio de perguntas.

Ricardo

*Ricardo Guimarães, 62, é presidente da Thymus Branding. Seu emial é ricardoguimaraes@thymus.com.br e seu twitter é twitter.com/ricardo_thymus
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Seg 26 Dez 2011 - 11:18 por Convidad
Trip 200 Reportagens
Assuntos:Comportamento tamanho da letra
QUESTÃO DE BOM-SENSO
O coro a favor da regulamentação da maconha começa a crescer15.06.2011 | Texto por Bruno Torturra Nogueira Fotos Luiz Maximiano


Foto: Luiz Maximiano

RODRIGO PIMENTEL : Ex-capitão do Bope. Quando as forças estaduais e federais ocuparam a maior fortaleza do crime no Brasil, o Complexo do Alemão, em novembro passado, 70 t de maconha foram apreendidas. O grande aparato criminoso do Comando Vermelho existia basicamente para vender, estocar e distribuir maconha. Houve centenas de assassinatos, carros roubados e policiais corrompidos para a sobrevivência desse business. Toda maconha consumida no Brasil tem gosto de sangue e foi vendida por um assassino, e todo usuário de Cannabis no atual contexto é, sim, responsável pela violência urbana no país. Creio que isso foi colocado de forma muito pedagógica no filme Tropa de elite. A legislação que não pune o usuário acaba por colocar a sociedade diante de um paradigma hipócrita, algo como:

Depois de décadas de repressão e uma política de Guerra às Drogas extremamente malsucedida, a maconha ainda é uma das bases de sustentação financeira do tráfico. considerada por autoridades no assunto como menos ameaçadora à saúde do que qualquer outra droga, a reflexão sobre essa planta pede sobriedade: repensar o sentido da proibição é um caminho defendido por lideranças de diferentes setores da sociedade. Diante da realidade, o coro que pede a regulamentação do consumo começa a crescer

Notas da Edição 200:
Não são necessários estudos para saber que a proibição da maconha afeta a memória. Principalmente a de longo prazo... Quem se recorda, por exemplo, de que o primeiro registro escrito da Cannabis veio da China, há mais de 4 mil anos, citada em um livro de plantas medicinais? Quem tem lembrança de que, muito mais do que droga ou fármaco, ela foi utilizada para a produção de fibra, tecido, papel, alimento, óleo e combustível? Nossos livros de história não registram que velas e cordas das naus que descobriram a América eram feitas de cânhamo (o nome da maconha para uso “não psicoativo”). A Constituição americana foi escrita em um papel da mesma fibra. A lista segue em muitos exemplos.
Raríssimo caso entre as drogas, legais e ilegais, nunca houve um registro de overdose por conta de maconha. Nenhum. Mas um estudo, da escola de medicina de Harvard, conseguiu supor qual seria a dose letal de THC. Anote: 40 kg da planta absorvidos em 15 min matariam um adulto no ato. Ou seja, impossível. O médico que conduziu a pesquisa, doutor Lester Greenspoon, ao se dar conta da toxicidade virtualmente nula da molécula, deu o seguinte parecer: “Do ponto de vista dos órgãos, o THC é uma substância inofensiva”. Mas a análise científica não funciona no mundo real. Por aqui, fora do laboratório, a maconha mata, e muito.
Em menos de cem anos de proibição a maconha já esteve por trás de milhares, ou melhor, de incontáveis mortes. Não como substância, mas como commodity para organizações criminosas. Tornou-se a base de uma pirâmide financeira que compra armas, policiais, políticos. Deixou de ser matéria-prima para tornar-se um depósito de preconceitos. Entre usuários apaixonados e repressores convictos, a planta hoje chega ao público contaminada por concepções enganosas, como se a própria ideia de maconha fosse malhada.
É uma longa história a de como ela foi proibida, mas a sentença irrecorrível foi dada na ONU, há 50 anos. As nações fizeram um pacto: erradicar as drogas do mundo. Entre elas a maconha, que já era proibida nos EUA e em muitos países. Mas foi naquela assembleia a primeira vez na história em que ela foi considerada, oficialmente, sem valor medicinal, sem valor industrial. Uma milenar relação da planta com os humanos foi simplesmente banida por um papel assinado por diplomatas.
Um estudo aprofundado, chamado Cannabis Policy, conduzido por economistas ligados a comissões dos efeitos geopolíticos do mercado de drogas, da mesma ONU, chegou a uma estimativa assustadora: a maconha pode ser responsável por 80% do comércio ilegal de drogas no mundo. É complicado confirmar a precisão desse número, já que, proibido, é um mercado sem chance de auditoria. Mas é uma estimativa que é corroborada por outra. São números que variam muito de país para país, mas cerca de 90% dos usuários de drogas no mundo usam apenas a maconha.
Com a proibição, deixou de ser uma versátil planta para se tornar um fantasma na vida de famílias e governos. Um fantasma que se torna real quando a maconha é vendida pelas mesmas mãos que oferecem crack, armas e altos riscos. E que assombra a própria democracia quando é descrita através de moralismo e demagogia para uma sociedade assustada. Um fantasma que assusta inclusive pessoas esclarecidas sobre o assunto, e que fogem ao debate por medo. Ou conveniência.
Esta edição da Trip chega em um momento em que o debate sobre a questão da maconha atinge um ponto crítico. Violenta repressão na marcha que pedia a legalização em São Paulo, tolerância aos manifestantes em outros Estados. Um ex-presidente da República lança um filme sobre política de drogas e luta por uma reforma global nas leis. E defende abertamente a regulamentação da maconha no país.
A ele, junta-se um coro até hoje improvável: juízes, policiais, deputados, artistas, esportistas... Todos reconhecendo o fracasso de uma política repressiva. E a urgente necessidade de um debate sem a carga de antigos preconceitos e hipocrisia. Mas carregado de informações e bom-senso.



A Trip não tem a pretensão de apontar qual o melhor caminho para um mercado regulado de maconha no Brasil. Temos apenas o dever, como jornalistas interessados na evolução da consciência pública, de dar nossa contribuição ao debate. São muitas as razões que nos levaram a reconhecer a pertinência da discussão. E tentamos demonstrar com reportagens, entrevistas e estatísticas nas páginas desta edição de número 200 por que acreditamos que existe hoje um espaço inédito para uma discussão mais racional, razoável e realista sobre tudo o que toca a vida em sociedade.

Aqui, alguns brasileiros, do esporte, da moda, da política, da medicina, de ONGs, do Bope... dão o seu recado. Explicam, em lousas e depoimentos, por que acreditam que a proibição inflexível da maconha não funciona. E, pior, causa mais males colaterais à sociedade do que no corpo e na mente de quem usa. Não se trata de gostar ou não da maconha. Mas de eliminar a hipocrisia e a ignorância da agenda nacional.


Extrato de: Revista Trip, Edição 200.
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Seg 26 Dez 2011 - 11:25 por Convidad
"Defender uma reforma na política de drogas não é uma posição 'avançadinha'. É realismo"
(por Fernando Henrique Cardoso).
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Sex 13 Jan 2012 - 19:34 por Convidad
Fantástico 29/05/2011.

[youtube][/youtube]
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Ter 24 Jan 2012 - 16:25 por Convidad
Eu critico com frequencia a abordagem policialesca da dependência ás drogas. Penso que as ações são até relativamente bem intencionadas (quando não, apenas levianas), como ocorre atualmente na desocupação da Cracolândia.

Alí ocorre um típico evento cuja a abordagem se faz sob a ótica legal e social, em detrimento da abordagem sanitária que é relegada a um plano quase que terciário. Vejamos, pois o porquê dessa afirmação.

"Agência Brasil
SÃO PAULO - O Ministério Público (MP) de São Paulo deve concluir em março a investigação sobre a operação policial na região do centro paulistano conhecida como cracolândia. Segundo o promotor de Direitos Humanos e Saúde Pública, Arthur Pinto Filho, o inquérito aberto no último dia 10 está "andando muito bem" e busca provas sobre os abusos cometidos pela Polícia Militar (PM) e a Guarda Civil Metropolitana (GCM).

"Estamos ouvindo algumas pessoas que são moradoras de rua e viram a atuação da PM naqueles primeiros dias", disse. De acordo com ele, atuação das corporações no início da ação foi "muito lamentável". "Uma violência geral e irrestrita contras as pessoas de lá, sem verificar quem é criança, quem é adolescente".

Com o fim da apuração, o MP pretende entrar com as ações judiciais até o início de abril. O promotor ressaltou que também poderão ser indiciados os responsáveis por comandar a operação que ocupou as ruas onde era livre o uso e o tráfico de crack. "Até onde a gente consegue analisar a ação das autoridades, elas praticaram improbidade [administrativa]", destacou.

O promotor espera ainda que com o depoimento dos comandantes da polícia seja possível determinar quem deu a ordem para o início da ação, ponto que até o momento não foi esclarecido. "Sabemos que quem comandou foi a PM, agora não temos clareza de quem deu essa ordem para o comandante". As autoridades serão chamadas para depor após o fim da coleta de relatos sobre atuação na cracolândia.

Além das denúncias de abuso, o Ministério Público apura se o estado e o município estavam aparelhados para dar assistência aos dependentes químicos. " Na nossa maneira de ver, não estavam", destacou. Para avaliar essa atuação, o MP está ouvindo médicos e especialistas da área de saúde."

"Bruno Paes Manso e Diego Zanchetta - O Estado de S.Paulo (grifos nossos)
SÃO PAULO - Em duas semanas, o Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil fez na cracolândia mais da metade das prisões de traficantes contabilizadas na mesma região do centro de São Paulo em 2011. Foram 103 presos, totalizando 83 autos de flagrante e 2,883 quilos de crack apreendidos entre os dias 6 e ontem. Em todo o ano passado, foram 200 prisões em flagrante.

Entre os presos nos últimos 14 dias, porém, dezenas eram apenas usuários que vendiam pequenas quantidades de pedra para manter o próprio consumo. Nenhum ponto de tráfico ou suspeito de controlar parte da venda de crack na região foi para a cadeia. "Não importa a quantidade de droga. Depende da postura. A gente acaba pegando o pequeno também que vende para sustentar o vício", admite Edison Santi, delegado responsável pelo Setor de Inteligência do Denarc.

A mobilização do Denarc na cracolândia envolve os 360 investigadores do departamento, responsável por investigar o narcotráfico nos 645 municípios paulistas. A ordem, segundo investigadores ouvidos pelo Estado, é "esquecer" os outros inquéritos ou prisões previstos para outras regiões do Estado e na própria Grande São Paulo. Existe até uma "meta" imposta pelo comando do setor para que cada uma das dez equipes de investigadores que estão na região faça pelo menos duas prisões em flagrante por semana.

Inteligência. O problema da operação, ainda de acordo com relatos de policiais, é que não houve nenhum trabalho de inteligência anterior para identificar quem eram os traficantes da região. Na sexta-feira passada, dois investigadores que tentaram se infiltrar na Favela do Moinho, em Campos Elísios, ao lado da cracolândia, acabaram descobertos por marginais. Eles foram expulsos e tiveram de entrar às pressas em um carro da Força Tática da PM que estava parado na entrada da favela.

Outra dupla de policiais que tentou se misturar entre os usuários da Rua Helvétia conseguiu prender na terça-feira Desirée Mendes Pinto, de 35 anos, grávida de quatro meses. Ela era procurada havia duas semanas pela sogra e foi flagrada pelos investigadores com 54 pedras de crack. Além dos 103 presos, dos quais cinco eram menores de idade, o Denarc tem checado diariamente documentos e registros criminais de moradores da Favela do Moinho. "

Onde está o trabalho assistencial? Isso não é função da policia, eu sei. Eu critico a ação do Estado. A ação visa o combate ao tráfico, não ao traficante ou sequer a recuperação do usuário. Os frequentadores da cracolândia estão sendo apenas desalojados e espalhados pelo entorno dessa região, como se isso reduzisse o consumo ou o tráfico. A turma do Himler, na Alemanha nazista era mais pragmática: queria os judeus concentrados em um só ponto para que fosse mais pratico lidar com a questão judaica. Aqui, pelo visto a idéia pe outra: vamos espalhar, diluir o problema na paisagem, vamos urbanizar a cracolandia, vamos varrer a sujeira para baixo do tapete e ainda por cima, vamos mostrar os troféus de nossa cruzada contra as drogas.

Não contra os traficantes, não para recuperar os drogados, devo supor.

O que isso tem a ver com cannabis para uso medicinal? Continuamos no mesmo caminho, na nossa cruzada, nossa guerra santa contra o mal atacando os vassalos, mas mantendo nossa relação de camaradagem com o diabo....

E o Brasil continua não ganhando a guerra...
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Ter 24 Jan 2012 - 17:30 por Convidad
Notícias já antigas:

"Referendo no Arizona aprova legalização de maconha medicinal
Posted on November 14, 2010 by admin
Fica autorizado o consumo de 70 gramas a cada duas semanas.
Paciente pode plantar erva em casa se morar longe de farmácia autorizada.

“A partir deste sábado (13), o uso medicinal de maconha é legal no estado americano do Arizona. A apuração de votos de um referendo sobre o tema terminou neste sábado (13), com a vitória dos apoiadores da proposição 203 (“Arizona Medical Marijuana Act”), que legaliza o consumo de maconha exclusivamente para fins medicinais.

O “sim” venceu por uma diferença de 4.341 votos. Na contagem de votos, o apoio à proposição 203 superou a rejeição pela primeira vez ontem (12).

Com a decisão, o Arizona torna-se o 15º estado americano a permitir o uso medicinal de maconha.

Fica autorizado o consumo de aproximadamente 70 gramas a cada duas semanas.

A cada 10 farmácias, uma poderá vender maconha, contra apresentação de prescrição médica.

Quem mora a 40 quilômetros ou mais da farmácia autorizada mais próxima, poderá plantar maconha, desde que tenha uma receita médica válida.”

FOnte: G1"


"Usos Medicinais da Maconha

Atualmente, muito se tem discutido a respeito do uso médico de substâncias químicas encontradas na maconha. Segundo o CEBRID, "graças à pesquisas recentes, a maconha (ou substâncias dela extraídas) é reconhecida como medicamento em pelo menos duas condições clínicas: reduz ou abole as náuseas e vômitos produzidos por medicamentos anti-câncer e tem efeito benéfico em alguns casos de epilepsia (doença que se caracteriza por convulsões)".

Entretanto, o mesmo grupo de pesquisadores alerta: "É bom lembrar que a maconha (ou as substâncias extraídas da planta) têm também efeitos indesejáveis que podem prejudicar uma pessoa".

O psicólogo Fernando Tavares de Lima disse ter informações a respeito de médicos que, há muito tempo, dizem para pacientes que já fazem o uso da droga, que a fume em determinados horários, especificamente antes das refeições, para aproveitar o seu efeito de sensação de fome e possuírem apetite. Esses casos, evidentemente, não são divulgados, pois a utilização da maconha no Brasil é ilegal. Contudo, são bastante freqüentes em doentes de AIDS e de câncer, que enfrentam dificuldades na alimentação. Contudo, um dos problemas são os efeitos "tóxicos" da droga e o seu grau de pureza variável. Como nunca se sabe qual é a quantidade que deveria ser utilizada para esse fim, esse é um dos argumentos para os que defendem que os medicamentos à base de maconha sejam produzidos por laboratórios.

Nos Estados Unidos, há uma série de pesquisas sendo realizadas sobre os efeitos terapêuticos da maconha. Importantes médicos e biólogos, membros do National Institutes of Mental Health e do National Institute of Neurological Disorders and Stroke, pesquisam sobre os efeitos do THC como "neuroprotetores" contra efeitos tóxicos e como "anti-oxidantes". Dados desse estudo sugerem que a maconha pode ser útil como agente terapêutico para o tratamento de desordens neurológicas, como por exemplo, nos acidentes vasculares cerebrais do tipo isquêmico.

Copyright © 2000 eHealth Latin America 11 de Setembro de 2000"

"A Cannabis é indicada para tratar e prevenir náuseas e vômitos, para tratamento de glaucoma, espasmos, além de ser usado como relaxante muscular bem como um analgésico geral. Estudos individuais também foram realizados indicando a maconha para tratamento da esclerose múltipla. Extratos de cânabis também foram criados e vendidos como medicamentos prescritos nos Estados Unidos, principalmente para o tratamento da dor e náusea. Estudos recentes comprovaram a eficácia do THC, principal substância da maconha, contra o células cancerígenas. Em pesquisas com tratamento de câncer há indícios de que o THC possa induzir as células malsãs a um processo de autodestruição [carece de fontes]; além de pesquisas com injeções intramusculares de concentrações do D9-tetrahidrocanabinol (D9-THC) retardarem a progressão da imunodeficiência de macacos infectados com SIV (variante do vírus HIV) por diminuição da carga viral. [29] [30] [31] Alguns estudos apontam o consumo de THC como benéfico para portadores de Mal de Alzheimer [32]. O brasileiro Dartiu Xavier da Silveira, Doutor em Psiquiatria e Psicologia Médica, foi responsável por um estudo com dependentes de crack no qual estes se dispuseram a tratar sua dependência com maconha. Ao final do tratamento, 68% dos pacientes abandonaram o uso de crack, e posteriormente também cessaram o uso de maconha. O estudo foi publicado na conceituada revista científica americana Journal of Psychoactive Drugs, em 1999.[33]
Em 2009, um americano entrou para o Guiness Book como a pessoa que mais fumou maconha "legal" no mundo [34]. Irvin Rosenfeld possui um câncer raro nos ossos e recebe a maconha gratuitamente do governo americano como tratamento. O paciente afirma já ter fumado cerca de 115 mil cigarros de cânabis medicinal, uma média de 10 a 12 por dia, desde 1981, tendo sido o segundo paciente a se beneficiar da lei que autoriza o uso de maconha para fins terapêuticos nos Estados Unidos.
Wikipédia"


"O Uso Medicinal da Maconha (Cannabis sativa)

Em resposta à pressão pública para a aprovação do uso medicinal da maconha, o órgão responsável pelo controle de medicamentos dos Estados Unidos (the Office of National Drug Control Policy, Washington,DC) patrocinou um estudo realizado pelo Institute of Medicine, que teve como autores o Dr. Stanley J. Watson, o Dr. John A. Benson e a Dra. Janet E. Joy.

Este tinha como objetivo avaliar as evidências científicas dos benefícios e dos riscos do uso da maconha na medicina. Baseou-se em conhecimentos científicos e populares e foi validado por especialistas no assunto. O estudo foi publicado na revista Archives of General Psychiatry de junho de 2000.

A principal finalidade deste estudo foi determinar o que é verdadeiro e o que é falso a respeito do efeito terapêutico da maconha. Ele consiste em uma revisão sobre os mecanismos e locais de ação da droga, bem como, a eficácia e falhas de seu uso medicinal. Inclui também uma análise dos efeitos crônicos e agudos da maconha, sendo comparados os seus efeitos adversos com os de outras drogas já padronizadas.

A biologia da maconha

O conhecimento a respeito da neurobiologia da maconha vem mudando dramaticamente na última década. Foram descobertos dois tipos de receptores (estruturas orgânicas que se ligam aos componentes químicos da maconha e permitem sua ação dentro das células), que receberam o nome de CB1 e CB2, estes se localizam principalmente no cérebro e nas células do sistema imune.

Dentro do cérebro, estes receptores estão concentrados no sistema límbico, no córtex cerebral, no sistema motor e no hipocampo. Essas localizações explicam, em parte, os sintomas provocados pela maconha, como as alterações do estado mental, as mudanças de humor e as alterações da coordenação motora.

Seus efeitos sobre o sistema imune ainda não são bem conhecidos.

O papel da maconha na dor

Evidências de pesquisas em animais e em homens indicam que a maconha pode produzir um efeito analgésico importante. Porém, mais estudos devem ser feitos para estabelecer a magnitude e a duração deste efeito, nas diversas condições clínicas. Os pacientes que poderiam ser beneficiados com o uso dessa droga seriam aqueles em uso de quimioterapia, em pós-operatório, com trauma raquimedular (lesão da coluna vertebral com acometimento da medula), com neuropatia periférica, em fase pós-infarto cerebral, com AIDS, ou com qualquer outra condição clínica associada a um quadro importante de dor crônica.

Quimioterapia induzindo náuseas e vômitos

Muitos oncologistas e pacientes defendem o uso da maconha, ou do THC (seu principal componente já estudado) como agente antiemético. Mas quando comparada com outros agentes, a maconha tem um efeito menor do que as drogas já existentes. Contudo, seus efeitos podem ser aumentados quando associados com outros antieméticos. Dessa maneira, o uso da cannabis na quimioterapia pode ser eficiente em pacientes com náuseas e vômitos não controlados com outros medicamentos.

Desnutrição e estimulação do apetite

Os estudos sobre os efeitos da maconha sugerem que esta droga pode ser importante no tratamento da desnutrição e da perda do apetite em pacientes com AIDS ou câncer. Mas outros medicamentos são mais efetivos do que a maconha, portanto, os autores recomendam pesquisas mais aprofundadas para avaliar a ação da maconha nesses pacientes.

Espasmo Muscular

Como já foi dito anteriormente, a maconha afeta o movimento, e estudos tem demonstrado que ela pode ajudar no controle do espasmo muscular (encontrado na esclerose múltipla ou no traumatismo raquimedular).

Mas as pesquisas que avaliaram essa capacidade da maconha devem ser analisadas com cuidado, uma vez que, outros sintomas associados a estas doenças, como a ansiedade, podem aumentar os espasmos, e nesse caso, a maconha poderia ter sua ação diminuindo a ansiedade e não controlando o espasmo propriamente dito. Por isso, os autores acreditam que mais estudos devem ser realizados para se confirmar esse efeito da maconha.

Movimentos desordenados

Estudos em animais demonstram que o uso da maconha pode estimular os movimentos em doses baixas e pode inibí-los em doses altas. Esta característica pode ser importante para o desenvolvimento de tratamentos para as desordens motoras na doença de Parkinson. Os autores acreditam que novos estudos devem ser feitos para avaliar a quantidade exata da droga que pode ser eficiente no tratamento dessa condição.

Epilepsia

O principal objetivo do tratamento da epilepsia é impedir completamente as crises. Os estudos a esse respeito ainda estão se iniciando, e muitas vezes as crises não foram inibidas com o uso da maconha, portanto, os autores acreditam que pesquisas com pessoas ainda não devem ser indicadas.

Glaucoma

Apesar do glaucoma ser uma das indicações mais citadas para o uso da maconha, os dados existentes não suportam esta indicação. A pressão alta intra-ocular é um dos fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma e a maconha poderia agir diminuindo esta pressão. Mas esse efeito é de curta duração e só é conseguido com altas doses da droga. Como as altas doses provocam muitos efeitos indesejáveis e as medicações já existentes são bastante efetivas e com efeitos colaterais mínimos, os autores acreditam que o uso da cannabis nessa condição ainda não está indicado.

Efeitos adversos

Os efeitos adversos da cannabis podem ser divididos em duas categorias: os efeitos do hábito de fumar crônico e os efeitos do THC. O fumo crônico da maconha provoca alterações das células do trato respiratório, e aumentam a incidência de câncer de pulmão entre os usuários. Os efeitos associados ao longo tempo de exposição ao THC são a dependência dos efeitos psicoativos e a síndrome de abstinência com a cessação do uso. Os sintomas da síndrome de abstinência incluem agitação, insônia, irritabilidade, náusea e cãibras.

Alguns autores sugerem que a maconha é uma porta de entrada para outras drogas ilícitas. Mas ainda não existem estudos científicos que comprovem essa hipótese. E outras drogas como o tabaco e o álcool, na verdade, são as primeiras drogas a serem usadas antes da maconha.

Conclusão

Resumindo, os dados indicam um efeito terapêutico modesto, particularmente, no controle da dor, alívio de náuseas e vômitos, e estimulação do apetite. Seus efeitos foram melhores estabelecidos para o THC. Mas a maconha possui vários outros componentes que não tem seus efeitos estudados, e que podem trazer muitos riscos.

Os dados atuais não afastam e nem dão suporte para a hipótese de que o uso medicinal da maconha poderia aumentar o uso ilícito dessa droga. Ao final do estudo os autores concluíram que o futuro do uso terapêutico da maconha está associado com o desenvolvimento de substâncias puras, e não com o fumo da mesma.

Fonte: Arch Gen Psychiatry 2000;57:547-552 – Vol.57 No. 6, june 2000."
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Ter 24 Jan 2012 - 17:43 por Convidad
17/05/2010 07h00 - Atualizado em 17/05/2010 10h26
Médicos querem criar agência para regular uso medicinal da maconha

Brasil proíbe que 'Cannabis' possa ser transformada em remédio.
Confira entrevista com especialista que defende uso terapêutico da droga.
Iberê Thenório
Do G1, em São Paulo

Começa nesta segunda-feira (17), em São Paulo, um encontro científico internacional para discutir a criação de uma agência reguladora para o uso medicinal da maconha no Brasil. Hoje, o país não permite que os princípios ativos da planta possam se transformar em remédios.


A fundação de um órgão desse tipo é uma exigência da Organização das Nações Unidas. Em países como os EUA, Canadá, Reino Unido e Holanda, a Cannabis já é usada como analgésico, estimulador do apetite ou para o controle de vômitos.


Elisaldo Carlini, da Unifesp, é organizador do encontro sobre cannabis na medicina. (Foto: Iberê Thenório/G1)

Aqui, o grande defensor de terapias com a maconha é o médico Elisaldo Carlini, que organizou o evento. Segundo ele, as substâncias presentes na planta são muito úteis para serem deixadas de lado. "Há centenas de trabalhos científicos mostrando os efeitos terapêuticos da maconha", afirma.

Citação:
A maconha já foi considerada quase uma divindade na neurologia para tratamento das dores de origem nervosa."
Elisaldo Carlini, professor de
medicina na Unifesp


De acordo com o médico, não é de hoje que se conhece o efeito benéfico da droga. A prova de sua afirmação está em um livro de medicina de 1888, comprado por seu avô, onde a Cannabis constava como remédio.

Carlini, porém, não é favorável à liberalização da maconha para uso recreativo, e nem se encaixa no estereótipo "bicho-grilo", muitas vezes associado aos usuários da droga.

Professor de medicina na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ele tem 79 anos e já foi chefe da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, a atual Anvisa. Hoje, dirige o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e é membro do comitê de peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre álcool e drogas.

Confira, abaixo, trechos da conversa que o G1 teve com o médico da Unifesp.
G1 - As substâncias químicas da maconha são tão importantes para a medicina a ponto de haver esse esforço para a criação de uma agência reguladora?
Elisaldo Carlini - Essas substâncias estão reconquistando uma posição que elas tinham no início do século XIX e no início do século XX, quando a maconha era considerada quase uma divindade na neurologia para tratamento das dores de origem nervosa.



Livro de medicina de 1888 já falava sobre o uso da maconha como remédio. (Foto: Iberê Thenório/G1)

O próprio Dr. John Russell Reynolds, que era médico da Rainha Vitória na Inglaterra no fim do século XIX, dizia que a maconha, quando administrada na dose adequada - e o produto controlado nas suas qualidades -, era um dos medicamentos mais preciosos.
Depois se perdeu totalmente essa visão, e a maconha foi considerada uma droga maldita, uma droga que a ONU coloca como especialmente perigosa, ao lado da heroína, o que é uma coisa totalmente irreal.

Citação:
Exemplos de uso terapeutico da maconha
Atenuação de dores crônicas da esclerose múltipla
Diminuição de náuseas durante a quimioterapia
Aumento de apetite para tratamento de anorexia e Aids
Redução da pressão interna do olho no glaucoma


G1 - Não se corre o risco de esses remédios serem usados para "fins recreativos"?
Elisaldo Carlini - Se não houver os devidos cuidados, pode acontecer. É como a morfina, que está disponível, todos os pacientes têm o direito de ter, mas que não deve ficar "à solta", não se pode ter na prateleira de uma farmácia sem maiores cuidados. Terá que haver uma legislação que garanta o controle adequado, como existe na morfina.
Em alguns países onde o delta-9-THC [uma das substâncias da maconha] está sendo comercializado, não há exemplo de desvio. Nesses casos, o fato de a maconha ter se transformado em medicamento tirou um pouco o encanto, o desafio às regras que é muito comum o jovem querer praticar.

G1 - Os pacientes podem ficar dependentes desses remédios?

Elisaldo Carlini - A OMS fez um estudo mundial para investigar casos de dependência causados pelo delta-9-THC e não conseguiu encontrar.

Citação:
Terá que haver uma legislação que garanta
o controle adequado, como existe no caso da morfina"
Elisaldo Carlini


G1 - Como é possível pesquisar maconha no Brasil, já que a venda da droga é proibida?

Elisaldo Carlini - É complicado. Você tem de fazer um projeto que seja aprovado pela sua universidade, onde o comitê de ética opina. Aí é necessário conseguir uma aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e também da Anvisa, que tem de aprovar o projeto para liberar a droga. Então a droga tem de ser importada dos Estados Unidos, da Alemanha, onde há cultivo legal. E o governo dos países que vão exportar para o Brasil têm de aprovar, também.

G1 - Você é a favor da liberalização da maconha?

Elisaldo Carlini - Sou a favor da "despenalização". Eu acho que o enfrentamento do uso de qualquer droga não passa por repressão e prisão. Passa por uma educação em que o indivíduo tem de saber o que ele está fazendo. Já esse "liberou total" que estão querendo não traz benefício nenhum. Eu, particularmente, não sou a favor. Mas eu não sou contra a discussão desse assunto.
Re: Cannabis para uso medicinal
Mensagem em Ter 24 Jan 2012 - 17:46 por Convidad
Eu sei, eu sei...
Posts longos quase ninguém lê... Mas quem sabe um dia as pessoas resolvam ligar o cérebro?
:podexa:
 

Cannabis para uso medicinal

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